Essa reflexão é especialmente importante quando falamos de pessoas que dependem de programas de transferência de renda, aposentadorias, benefícios sociais e políticas públicas para garantir o básico dentro de casa. E aqui não se trata de dizer que quem recebe um benefício deve votar em determinado candidato. O voto é livre e cada cidadão tem o direito de escolher quem quiser.
Mas liberdade de escolha também significa responsabilidade para conhecer a história, as decisões e as consequências dos governos que disputam novamente a confiança da população.
Durante o governo de Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022, o país enfrentou momentos de forte tensão social, econômica e política. Na pandemia de Covid-19, o governo federal foi alvo de críticas e investigações relacionadas à condução da crise sanitária. O relatório final da CPI da Pandemia apontou, entre outras questões, atrasos na aquisição de vacinas e criticou a postura do governo diante das medidas de prevenção. Essas conclusões foram contestadas por integrantes do governo e aliados de Bolsonaro. (Senado Federal)
Também é preciso olhar para a política social daquele período sem cair em propaganda de nenhum lado.
O governo Bolsonaro criou o Auxílio Brasil em substituição ao Bolsa Família e, em 2022, o benefício chegou ao mínimo de R$ 600 por família. Dados oficiais registraram 20,2 milhões de beneficiários naquele ano. (Serviços e Informações do Brasil)
Mas o próprio Tribunal de Contas da União apontou problemas no desenho e na execução do Auxílio Brasil. Uma auditoria identificou possibilidade de pagamentos irregulares superiores a R$ 2 bilhões mensais e apontou mudanças que poderiam ter favorecido a entrada de pessoas fora do público prioritário do programa. (Portal TCU)
Isso mostra por que o eleitor precisa ir além do discurso de campanha.
Não basta alguém dizer que defende o pobre. É preciso olhar o que foi feito, como foi feito, quanto custou e quem realmente foi beneficiado.
O mesmo vale para outras áreas. Na Amazônia Legal, por exemplo, o INPE registrou 13.038 km² de desmatamento em 2021 e 11.594 km² no período de agosto de 2021 a julho de 2022. Os números precisam ser analisados dentro do contexto histórico e ambiental, sem transformar estatística em propaganda política. (Serviços e Informações do Brasil)
E é justamente aí que entra o chamado voto consciente.
Não estou dizendo ao trabalhador, à mãe, ao jovem, ao aposentado ou à pessoa que recebe um benefício social em quem votar. Estou dizendo que ninguém deveria entregar o próprio voto sem antes pesquisar.
Pesquise o passado.
Leia propostas.
Compare governos.
Veja quem votou em determinadas leis.
Confira os números.
Procure fontes diferentes.
Observe quem esteve ao lado de cada candidato.
E, principalmente, não permita que ninguém compre sua consciência com promessa, medo, mentira ou discurso fácil.
O Brasil já passou por momentos difíceis demais para que o eleitor escolha apenas pela emoção. Política não deveria ser uma disputa entre torcidas. É sobre a vida real das pessoas.
Quem recebe Bolsa Família, BPC ou qualquer outro benefício social não deve ser tratado como massa de manobra por nenhum grupo político. Da mesma forma, quem não recebe benefício também não deveria acreditar que política social é simplesmente “dinheiro dado pelo governo”. São recursos públicos e políticas que precisam ser avaliados por resultados, transparência e impacto na vida da população.
Também precisamos reconhecer que nenhum político está acima da crítica.
Bolsonaro pode ser criticado. Lula pode ser criticado. Governadores, prefeitos, deputados e vereadores também podem — e devem — ser cobrados.
O cidadão não é cabo eleitoral de político. O político é que deveria prestar contas ao cidadão.
Por isso, antes de apertar qualquer número na urna, faça uma coisa simples: pesquise.
Não vote porque alguém mandou.
Não vote porque alguém ameaçou.
Não vote porque recebeu uma promessa.
Não vote apenas por uma postagem nas redes sociais.
Vote sabendo quem você está escolhendo, o que essa pessoa defendeu, o que realizou e quais foram as consequências de suas decisões.
Essa é a verdadeira liberdade do eleitor.
E essa é a reflexão que deixo hoje na minha coluna na Brejo Grande FM.

