O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou a rápida apuração do primeiro turno das eleições brasileiras de 2026 para fazer novas críticas ao sistema eleitoral norte-americano. Em uma publicação na rede Truth Social, Trump destacou que os resultados brasileiros foram conhecidos poucas horas após o encerramento da votação e classificou o processo eleitoral dos Estados Unidos como “corrupto”.
Segundo Trump, aproximadamente 125 milhões de brasileiros participaram do primeiro turno e os resultados foram divulgados ainda no mesmo dia. O presidente americano comparou a situação com cidades e estados dos EUA, citando Detroit, Filadélfia e Califórnia como exemplos de locais onde a contagem pode levar mais tempo.
Na publicação, Trump escreveu inicialmente que os 125 milhões de eleitores haviam participado da eleição presidencial da Índia, em vez do Brasil. A postagem foi posteriormente corrigida, mas o erro rapidamente repercutiu nas redes sociais.
Crítica ao sistema eleitoral americano
Depois de destacar a velocidade brasileira, Trump afirmou que resultados eleitorais nos Estados Unidos, mesmo envolvendo números menores de votos, podem levar dias ou até semanas para serem concluídos.
Em tom crítico, o presidente utilizou a expressão em inglês “Voting in America is CORRUPT!!!”, que pode ser traduzida como “Votar na América é CORRUPTO!!!”.
A declaração ocorre em um momento de forte debate político nos Estados Unidos e a poucas semanas das eleições legislativas americanas. Trump tem histórico de questionamentos sobre o sistema eleitoral de seu país, especialmente em relação aos procedimentos de votação e à contagem dos votos.
Brasil e Estados Unidos possuem sistemas diferentes
Apesar da comparação feita por Trump, especialistas e veículos de imprensa destacam que os modelos eleitorais dos dois países possuem diferenças importantes.
No Brasil, a votação é realizada majoritariamente por meio de urnas eletrônicas, enquanto a organização e a totalização dos votos seguem um sistema nacional coordenado pela Justiça Eleitoral. Nos Estados Unidos, as regras e procedimentos variam entre estados e localidades, incluindo diferentes métodos de votação, contagem e certificação.
Por isso, uma apuração mais demorada nos Estados Unidos não constitui, por si só, evidência de fraude. Na publicação, Trump não apresentou provas que sustentassem a acusação de corrupção do sistema eleitoral americano.
A rapidez brasileira chama atenção internacional
A declaração de Trump também colocou novamente o sistema eleitoral brasileiro no centro do debate internacional.
A apuração do primeiro turno das eleições de 2026 foi acompanhada de perto no exterior, justamente pela velocidade com que os votos foram totalizados. A eleição brasileira terminou com a definição de um segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, marcado para 25 de outubro.
O episódio também ganhou um aspecto curioso: ao elogiar a velocidade da eleição brasileira, Trump acabou confundindo inicialmente Brasil e Índia, antes de corrigir a publicação.
A declaração, entretanto, vai além da gafe. Ao usar a apuração brasileira como exemplo, Trump voltou a colocar em discussão a confiança no sistema eleitoral americano e abriu um novo capítulo no debate sobre como diferentes democracias organizam, contabilizam e certificam seus votos.

